Manuel Esteves
Manuel Esteves 07 de agosto de 2014 às 20:52

A história boa e a história má

Há uma história boa e uma história má para o BES. O futuro nos dirá qual se aproxima mais da verdade. O problema é que nessa altura poucos dirão o que dizem agora.

 

Caro leitor, escolha em baixo a sua versão preferida:

 

A história boa

 

Perante uma situação de grave crise sistémica, o banco central decidiu agir depressa, em coordenação com o Governo. O BES foi partido em dois: de um lado, o banco bom que recebe os activos saudáveis, os depósitos e os trabalhadores; e o banco mau onde ficam os activos tóxicos, cujos buracos serão tapados pelo capital dos accionistas, pela dívida subordinada e pelos depósitos dos accionistas com mais de 2%. Capitaliza-se o Novo Banco sem dinheiros públicos: o Estado empresta dinheiro ao fundo de resolução da banca e, este sim, compromete-se no capital da nova entidade. O banco será vendido, de preferência até final do ano: se o valor da venda for inferior à dívida, os bancos pagam o restante. Consegue-se o melhor dos mundos: Protege-se os depositantes, os contribuintes e o sistema financeiro. O défice dispara, mas é uma questão temporária e que não obriga a austeridade adicional.

 

A história má

 

O governador foi negligente e interveio tarde. O Governo pôs-se à margem, deu carta branca ao governador e passou-lhe um cheque para que resolvesse o problema. Costa partiu o banco em dois. No banco mau, os accionistas têm ainda a oportunidade de recuperar parte do dinheiro que sobrar nos activos tóxicos. O Novo Banco é capitalizado pelo Estado, expondo os contribuintes a um novo buraco nas contas públicas. Na prática, é uma nacionalização, mas só com a parte má: o Estado gasta mas não manda. E poupa parte dos obrigacionistas. Ninguém sabe se o empréstimo alguma vez será amortizado porque o valor real do Novo Banco é uma incógnita. E é inimaginável que sejam os bancos a pagar a factura que no final levará o nome dos contribuintes.

 

No futuro saberemos qual destas histórias se aproxima mais da verdade. O problema é que nessa altura poucos dirão o que dizem agora.

 

Editor de Economia 

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